Prof. Dr. Fernando Mattiolli Vieira

Introdução

         Desde o período do Renascimento, quando filólogos e outros pensadores promovem uma redescoberta da Antiguidade, os escritos cristãos originários constituíram uma fonte fundamental para a compreensão do ambiente de formação do cristianismo e de sua estrutura doutrinária. Esse interesse moderno teve como objetivos, por um lado, construir uma crítica histórica sobre o desenvolvimento do cristianismo e das religiões cristãs, por outro, aprofundar o distanciamento para com outras religiões e culturas. Para além dos interesses históricos, religiosos e políticos, essa reconstrução foi marcada também pela carência de fontes alternativas que pudessem servir como contraponto para a contextualização de suas narrativas. Contudo, a descoberta do maior conjunto de textos do período intertestamentário, os Manuscritos do Mar Morto, alterou positivamente esse quadro e as conclusões sobre as estruturas originárias do cristianismo.

     Os Manuscritos do Mar Morto foram descobertos no Deserto da Judeia, no ano de 1947. Compõem várias coleções diferentes, que abrangem os séculos III a.C. e II d.C. Os mais importantes foram encontrados no vale de Qumran, estando relacionados com base na paleografia e por seu conteúdo (datados entre II a.C. a I d.C.), e serão estes os considerados aqui. A maior parte dos pesquisadores, ao longo dos mais de setenta anos de produção bibliográfica, acredita que esses manuscritos foram redigidos e utilizados por comunidades pertencentes a uma corrente judaica do período helenístico-romano (332 a.C. a 70 d.C.) conhecida como essenismo e que uma delas habitou um conjunto de instalações no platô do vale de Qumran (Mizzi, 2017).

     Desde a primeira geração de pesquisadores foram identificados paralelos entre os escritos originários cristãos{1} e os manuscritos descobertos em Qumran. Um dos mais renomados eruditos bíblicos, Frank Moore Cross (1958), ajudou a delimitar onde esses paralelos se faziam presentes: na organização social, na legislação interna, na liturgia, nas estruturas textuais, nas figuras de linguagem, na linguagem teológica e nas doutrinas escatológicas. Esses são os principais campos onde os pesquisadores mais encontraram paralelos, embora durante todas as décadas de investigação os métodos de análise tenham sido aperfeiçoados e permitido a compreensão de paralelos de outras naturezas (Clements, Schwartz, 2009).

      Esses dois conjuntos textuais não devem ser comparados sem a utilização de critérios objetivos e explícitos. Os manuscritos de Qumran, foram escritos em hebraico (com poucas exceções), na Judeia, e muito possivelmente pertenceram a grupos de origem sacerdotal. Os textos cristãos, por sua vez, foram escritos em grego por comunidades de lugares diferentes da Palestina e com base em tradições distintas (Mesters, Orofino, 1995). Estabelecer essas diferenças é fundamental para nortear uma investigação, ao mesmo tempo em que elas são geradoras de critérios que ajudam a delimitar os recortes necessários. Neste capítulo, que se apresenta como uma introdução destinada ao leitor iniciante, serão explorados apenas paralelos de natureza doutrinal e, ao final, serão apresentadas algumas possibilidades sobre suas origens.

      Permito uma inflexão informativa antes de adentrar aos exemplos. É necessário lembrar que muito do que se tem divulgado sobre o cristianismo sob as luzes dos Manuscritos do Mar Morto possui um viés sensacionalista, com autores pouco interessados com rigor científico. Apenas em Qumran foram encontrados mais de 900 manuscritos, muitos dos quais se encontravam fragmentados (somando cerca de 15 mil fragmentos). Houve dificuldades muito grandes, de naturezas política, orçamentária, científica e estrutural, em lidar com esse montante. Isso fez com que a publicação do material pelos pesquisares e agências responsáveis se desse em ritmo moroso e com grandes hiatos até a década de 2000, quando foi finalizada a publicação de todos os manuscritos (Funari, Machado, 2012). Tal situação foi suficiente para interessados e até pesquisadores afirmarem que havia nos manuscritos um conteúdo nocivo ao cristianismo, que poderia “destruir” doutrinas cristãs. Ao final, nada ameaçador foi encontrado, apenas conteúdos que lançam luz sobre a formação histórica do cristianismo.{2}

Doutrinas cristãs e os manuscritos de Qumran

          Comecemos com os títulos “filho de Deus” e “filhos da Luz”, que possuem um papel importante no messianismo e simbolismo cristãos. Nas Escrituras,{3} a expressão “filhos de ...” ocorre diversas vezes para representar ora um grupo étnico ou uma classe (e.g. “filhos do Oriente” [benei qédem, Is 11:14]; “filhos de Israel” [benei Isra’el, Jl 4:16]; “filhos dos profetas” [benei ha-nabî’îm, 1Rs 20:35]), ora um grupo possuidor de uma função dentro da teologia judaica (e.g. “filhos da humanidade” [benei ’adam, Dn 10:16] [Schökel, 2004: 107]). Nos escritos originários cristãos essa base é utilizada, mas recebe uma roupagem messiânica. Tomemos como exemplo a passagem de Lc{4} 1:35:

O Anjo lhe respondeu: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra; por isso o Santo que nascer será chamado Filho de Deus” (huios Theou).{5}

          Por essa expressão não existir nas Escrituras e não ser encontrada com outras tradições religiosas até a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, pensava-se que ela havia composto uma tradição exclusiva do cristianismo. Com a descoberta de um manuscrito encontrado na caverna 4 de Qumran, chamado 4QApocalipse Aramaico (4Q246), foi possível saber que esse conceito não era particular aos grupos cristãos. Segue a parte principal do texto:

Será denominado filho de Deus (bereh di ’el), e lhe chamarão filho do Altíssimo. (...) Até que se levante o povo de Deus e tudo descanse da espada. Seu reino será um reino eterno, e todos os seus caminhos em verdade e direito. A terra estará na verdade, e todos construirão a paz (v.1, 4-6).{6} 

          Como vimos acima, havia uma base responsável pela criação desse conceito, que era a tradição mantida pela religião judaica. No entanto, as tensões que se faziam presentes na Judeia helenístico-romana contribuíram para um desenvolvimento espiritual, onde essa base conceitual evoluiu para uma teologia de natureza messiânica. O 4QApocalipse Aramaico rompe com parte da tradição antiga e apresenta sua feição messiânica de forma muito próxima com a que viria a ser utilizada nos textos cristãos (Fitzmyer, 2000). Se as primeiras comunidades cristãs emprestaram esse conceito diretamente dos manuscritos ou dos essênios é difícil saber. De qualquer forma, a descoberta do 4QApocalipse Aramaico é muito importante para provar que elementos formativos da doutrina cristã não eram exclusivos aos grupos cristãos.

           O conceito hebraico filhos da luz (benei ’or) também era desconhecido das tradições antigas, mas está presente tanto nos escritos originários cristãos como nos manuscritos de Qumran. Nos escritos cristãos ele é encontrado em Lc 16:8 (hoi huioi tou photos), Ef 5:8 (tekna photos), 1Ts 5:5 e Jo 12:36 (huoi photos), utilizado como uma autodesignação.{7} Embora fosse conhecido entre diferentes tradições cristãs originárias, é com o evangelista João que ele comporá um elemento de uma doutrina mais ampla, o dualismo, como veremos mais abaixo.

           A tradição joanina é muito rica em paralelos com os manuscritos de Qumran e serve para confirmar que os empréstimos ocorriam através de correntes de pensamento específicas. Conceitos que pareciam peculiares a João como espírito da verdade e o espírito do erro (1Jo 4:6), luz da vida (Jo 8:12), vida eterna (Jo 3:15,16), já existiam em um manuscrito muito importante chamado 1QRegra da Comunidade (1QS). Não apenas esses conceitos, mas também as antíteses da literatura joanina como: “luz” e “escuridão”, “verdade” e “mentira”, “espírito” e “carne”, “amor” e “ódio”, “morte” e “vida”, também são encontrados na literatura qumranita.

           Apesar de conceitos como esses também serem encontrados em outras tradições cristãs, na literatura joanina eles fazem parte de uma linguagem e simbolismo peculiares. Eles compuseram a base do dualismo joanino, muito similar ao encontrado nos manuscritos de Qumran. Vejamos um exemplo de como esse dualismo foi refletido em 1QRegra da Comunidade:

Do manancial da luz provêm as gerações da verdade,

e da fonte das trevas as gerações de falsidade.

Na mão do Príncipe das Luzes

está o domínio sobre todos os filhos da justiça;

eles andam por caminhos de luz.

E na mão do Anjo das trevas

está todo o domínio sobre os filhos da falsidade;

eles andam por caminhos de trevas.

Por causa do Anjo das trevas se extraviam

todos os filhos da justiça, e todos os seus pecados,

suas iniquidades, suas faltas e suas obras rebeldes,

estão sob o seu domínio (3:19-22).

          O autor desse texto torna bem explícito o pensamento de seu grupo a respeito da polarização entre o “bem” e o “mal”. Similar ao Anjo das trevas de 1QRegra da Comunidade, encontramos, em João, Vós sois do diabo, vosso pai, e quereis realizar os desejos de vosso pai (Jo 8:44). Esse dualismo possui uma simbologia ainda mais acentuada quando se refere ao bem, associado ao conceito luz. 1QRegra da Comunidade 3:19-22 mostra que a luz também possui seu representante espiritual, o Príncipe das Luzes, e é ele quem possui maior autoridade no universo espiritual. De forma resumida, outra passagem de 1QRegra da Comunidade apresenta esse dualismo:

As coisas reveladas sobre os tempos fixados de seus testemunhos,

para amar a todos os filhos da luz,

cada um segundo o seu lote no plano de Deus,

e odiar a todos os filhos das trevas,

cada um segundo a sua culpa (1:9-10).

          Essa passagem utiliza a expressão filhos da luz, já apresentada acima, e mostra seu uso pela comunidade dos manuscritos como um elemento fundamental de seu dualismo. Ele prova a concepção própria de um movimento escatológico, ao contrastar bem e mal e polarizar os mundos sagrado e profano entre filhos da luz e filhos das trevas.{8} João aproveita amplamente o simbolismo dos filhos da luz: enquanto tendes a luz, crede na luz, para vos tornardes filhos da luz (Jo 12:36). Essa passagem manifesta bem a importância que João dava na designação daqueles que pertenciam a seus círculos, sendo a terminologia empregada por ele igual à utilizada pelo autor de 1QRegra da Comunidade. Em 1Jo 3:10, o apóstolo explora esse simbolismo por meio de antíteses como haviam feito os autores de Qumran: Nisto se revelam os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo o que não pratica a justiça não é de Deus, nem aquele que não ama o seu irmão. A dualidade de Qumran entre luz e trevas expressa em 1QRegra da Comunidade é encontrada também em Mt em sua diferenciação entre os “dois caminhos” (Mt 7:13-14). Em 1QRegra da Comunidade o autor fala sobre “caminhos de luz” e “caminhos de trevas” (3:20-21).{9}

            Os escritos joaninos são encarados pelos pesquisadores como uma tradição bastante peculiar do cristianismo. Por muito tempo pensou-se que eles faziam parte de uma tradição cristã-gnóstica que teria conseguido sobreviver à condenação dos Pais da Igreja até sua intrincada canonização no século IV.{10} Em uma descoberta importante de manuscritos em 1945, feita na cidade egípcia de Nag Hammadi, camponeses encontraram jarros de barro que continham exemplares de livros gnósticos em língua copta que servem desde então como auxílio para a compreensão de como era o pensamento gnóstico. As influências gnósticas não foram descartadas, mas com a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, percebeu-se que elas são menores do que se acreditava (Anderson, 2011).

            Além dos Evangelhos sinóticos e dos escritos joaninos, os escritos originários cristãos que possuem maiores paralelos com os manuscritos de Qumran são as epístolas paulinas.{11} Algumas das ideias de Paulo não são encontradas em outras tradições cristãs, mas são paralelas às encontradas nos manuscritos de Qumran, principalmente no campo doutrinal. Podemos destacar a doutrina da “redenção”. Se ela não girasse em torno do ideal de fé e do Cristo (Gl 2:16), seria difícil provar que trechos de suas epístolas não teriam sido influenciados diretamente pelos manuscritos de Qumran. Essa diferença existe graças a escatologia cristã do século I d.C. estar um capítulo à frente da qumranita, já que nesta ainda se aguardava a chegada de um Messias.

                  Nas epístolas paulinas é ressaltada a natureza pecadora dos indivíduos e sua capacidade de obter o perdão não por sua própria vontade, mas sim pela misericórdia divina (Cl 1:12-14). Esse é o resultado alcançado devido à condição decaída da humanidade, pois todos pecaram e estão privados da graça de Deus (Rm 3:23). Essa doutrina paulina é encontrada nos escritos de Qumran. Os autores dos manuscritos compartilharam desse mesmo sentimento de insignificância diante de Deus. No hino de 1QRegra da Comunidade 11:9-12 pode-se perceber isso:

Porém eu pertenço à humanidade ímpia, à assembleia da carne iníqua; minhas faltas, minhas transgressões, meus pecados, com as perversões de meu coração, pertencem à assembleia dos vermes e dos que andam nas trevas. Pois ao homem (não lhe pertence) o seu caminho, nem ao ser humano o afirmar seu passo; posto que o juízo (pertence) a Deus... Quanto a mim, se eu tropeço, as misericórdias de Deus serão minha salvação para sempre; se eu caio em pecado de carne, na justiça de Deus, que permanece eternamente, estará o meu juízo.

          Em outro manuscrito, conhecido como 1QHinos de Ações de Graças (1QH), é encontrado, em diversas passagens, o mesmo ponto de vista descrito em 1QRegra da Comunidade 11:9-12 e em Paulo. Vejamos um exemplo.

Quem é justo diante de ti quando é julgado?

Nenhum espírito pode responder à tua repreensão,

Ninguém pode manter-se diante de tua ira.

A todos os filhos de tua verdade

Os levas ao perdão em tua presença,

Os purificas de seus pecados

Pela grandeza de tua bondade

E na abundância de tua misericórdia,

Para faze-los estar em tua presença

Por todo o sempre.

Porque é um Deus eterno

E todos os teus caminhos permanecem de eternidade em eternidade.

E não há ninguém fora de ti

Que é o homem vazio, dono de vaidade, para compreender tuas grandes

obras maravilhosas? (15:28-32).

          A redenção em Paulo recorre aos mesmos argumentos apresentados pelos autores dos manuscritos de Qumran. A explicação da condição espiritual humana pelos poetas qumranitas produziu um arcabouço teológico complexo sobre a pecaminosidade. Não é de se estranhar que se encontre dentro dessas explicações o dualismo necessário para se entender o processo de resignação dessa condição: enquanto de um lado há a impiedade, a transgressão, a perversão, o pecado, do outro estão a purificação e a misericórdia.

          O dualismo também constitui uma doutrina característica dos escritos paulinos. Um texto sempre lembrado pelos pesquisadores é o de 2Cor 6:14-7:1. Vejamos como Paulo desenvolve esse dualismo:

Não formeis parelha incoerente com os incrédulos. Que afinidade pode haver entre a justiça e a impiedade? Que comunhão pode haver entre a luz e as trevas? Que acordo entre Cristo e Beliar? Que relação entre o fiel e o incrédulo? Que há de comum entre o templo de Deus e os ídolos? Ora, nós é que somos o templo do Deus vivo, como disse o próprio Deus: Em meio a eles habitarei e caminharei, serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Portanto, saí do meio de tal gente, e afastai-vos, diz o Senhor. Não toques o que seja impuro, e eu vos acolherei. Serei para vós um pai, e serei para mim filhos e filhas, diz o Senhor todo-poderoso. Caríssimos, de posse de tais promessas purifiquemo-nos de toda mancha da carne e do espírito. E levemos a termo a nossa santificação no temor de Deus.

          Essa perícope reflete melhor do que qualquer outra a proximidade com o dualismo da comunidade dos manuscritos de Qumran.{12} Destaca-se o dualismo entre justiça e impiedade, luz e trevas, Cristo e Belial, e por isso é uma passagem-chave para comparação com o dualismo dos textos qumranitas. Em 1QManuscrito da Guerra (1QM) 13:1-4, temos uma fórmula similar, contando apenas com a óbvia ausência da figura do Cristo.

E bendirão de suas posições ao Deus de Israel e todas as obras de sua verdade, e execrarão ali a Belial e a todos os espíritos de seu lote. Tomarão a palavra e dirão: ‘Bendito seja o Deus de Israel em todo o seu desígnio santo e nas obras de sua verdade, e bendito todos os que lhe servem em justiça, os que o conhecem na fé. Maldito seja Belial em seu desígnio hostil, seja execrado por seu domínio ímpio. Malditos sejam todos os espíritos de seu lote em seu desígnio’.

         O texto de coríntios apresenta uma inegável inspiração judaica. É bastante possível que esse texto de 1QManuscrito da Guerra ou outro similar tenha sido conhecido por Paulo e o ajudado a configurar essa doutrina por uma nova roupagem.

         Outra doutrina paulina já estudada por alguns autores é a “justificação”. Os hinos qumranitas expressam muito bem a base desse conceito. Encontramos no hino de 1QHinos de Ações de Graças 15:1-17 um importante precedente da justificação paulina:

Eu te louvo, ó Adonai!

Porque me ensinaste a tua verdade

e me fizeste conhecer os mistérios do teu poder maravilhoso,

e o teu amor ao homem pecador,

e a tua rica misericórdia para com os perversos de coração.

Quem é como tu entre os deuses, ó Adonai?

E quem é comparável à tua verdade?

E quem pode ser declarado justo perante ti, quando julgado?

E não há ninguém que possa responder á tua acusação, toda

glória é vento,

e ninguém pode resistir diante de tua sabedoria.

Mas todos os filhos da tua verdade, através do perdão tu os

levas à tua presença,

para purificá-los dos seus pecados na tua rica bondade e na

abundância da tua misericórdia colocá-los em tua presença

por toda a eternidade.

Pois tu és um Deus eterno,

E todos os teus caminhos estão firmes para todo o sempre,

e não há ninguém fora de ti.

E o que é este homem do caos e Senhor do sopro do vento

para compreender as obras do teu poder maravilhoso, os

grandes?{13}

          O tema justificação é facilmente observado no decorrer do hino. A forma de se expressar do autor procura ressaltar sua pequenez diante de Deus. Se, por um lado, o autor refere-se a si mesmo como sendo um “homem pecador”, destaca os atributos divinos responsáveis pela justificação, como “tua verdade”, “tua misericórdia”, “tua sabedoria”. A salvação para os habitantes de Qumran era possível graças à complacência ou benevolência (ratson) de Deus para com os desmerecidos desse favor.{14} Enquanto Deus é onipotente, o homem, por outro lado, é dependente da vontade divina (Lohfink 2001: 58).

          A doutrina justificação nos manuscritos de Qumran servirá como matriz palestina para Paulo. A expressão quem pode ser declarado justo perante ti, quando julgado?, encontrada no hino acima, pode ser considerada como base para a elaboração da justificação paulina, que viria a se diferenciar apenas pela inserção da cristologia. Nos manuscritos de Qumran o ponto norteador da justificação não era uma figura messiânica e sim a fidelidade (’emunah) à Lei (Fitzmyer, 2000: 28-29). O julgamento de Deus para com o pecador seria bom desde que ele não se desviasse do “caminho da luz”. Nas palavras do próprio poeta qumranita: se eu tropeçar por causa de um pecado da carne, meu julgamento será conforme a justiça de Deus (1QS 11:12).

           Não surpreende o fato de a justificação, como descrita nos hinos de Qumran, remeter à Lei como quesito principal para a salvação. Os textos normativos de Qumran ressaltam a importância de se seguir as leis antigas.{15} O tropeçar por causa de um pecado da carne era cometer um desvio da Lei, algo que ainda assim poderia ser desconsiderado no dia do julgamento graças à bondade Deus, caso houvesse o arrependimento do transgressor e este voltasse a andar segundo as prerrogativas da comunidade.

           Mesmo vendo em Paulo grande semelhança com a justificação qumranita, é evidente que o apóstolo não conservaria a Lei como em Qumran. Para ele, os homens são justificados gratuitamente, por sua graça... realizada em Cristo Jesus (Rm 3:24). Paulo possuía uma preocupação muito grande com temáticas relacionadas à Lei (Schnelle, 1999: 55), mas perpassa essa dimensão ampliando seu sentido teológico substituindo-a pela fé em Cristo. A diferença central no papel da justificação em Paulo ocorre pelo advento de Cristo (Rm 4:24-25) e a necessidade da fé nele (Ef 2:8).

Como explicar a transposição doutrinária

            Após considerarmos alguns paralelos doutrinais entre os escritos originários cristãos e os manuscritos de Qumran, devemos nos questionar sobre as causas responsáveis por fazer com que elementos comuns fossem compartilhados por comunidades religiosas diferentes. A maior parte dos pesquisadores tem proposto que esses paralelos se devem ao mecanismo da “influência”, que, de formas diferentes, as comunidades cristãs teriam sido influenciadas e se apropriado de elementos das tradições religiosas dos essênios encontradas nos manuscritos. Contudo, essa perspectiva é muito vaga se estiver desprovida de uma hipótese que explique como teria ocorrido o contato entre aquelas comunidades. Atendendo a esse critério, apresentarei três propostas, as que penso ser mais bem fundamentadas. A primeira, bastante explorada na historiografia, é a que considera João Batista como um vetor direto no diálogo religioso intercomunitário. Batista foi, muito provavelmente, um dissidente essênio que teria residido em Qumran e se aproximado de um movimento cristãos palestino (Anderson, 2011). Para Otto Betz (1993: 216), João Batista foi criado nessa comunidade junto ao mar Morto e dela recebeu forte influência, tendo partido mais tarde para pregar a uma comunidade maior de judeus. Um dos aspectos discordantes entre ele e a comunidade essênia estaria relacionado com os banhos rituais. Eles eram praticados rotineiramente entre os essênios, simbolizando “pureza” frente a Deus. . Com Batista, o banho recebe um sentido diferente a partir do momento em que ele é realizado uma única vez, sob uma nova ótica, aprofundando seu sentido teológico (Betz, 1993: 218).{16} João parece ter tido uma importância histórica que vai muito além dos registros dos Evangelhos. Havia grupos seguidores de João que eram conhecidos por Lucas (At 18:25, 19:3). Até os dias atuais, há o mandeísmo, religião que considera João Batista como o verdadeiro Messias.

             Outra proposta tem como figura central o apóstolo Paulo. Ele teve contato com comunidades religiosas diferentes antes de sua conversão ao cristianismo e, depois disso, estreitou suas relações com comunidades cristãs bastante primitivas e de diferentes tradições. Essas primeiras comunidades cristãs abarcavam com pessoas advindas de lugares e com experiências religiosas diferentes, dentre as quais judaicas, e foi com elas que Paulo admitiu “receber”, “corrigir” e “conhecer” tradições cristãs diversas (Woodruff, 1995). Para além de Qumran, havia comunidades essênias espalhadas por toda a Palestina onde surgiriam as primeiras comunidades cristãs. Manuscritos de Qumran como o Documento de Damasco (CD), mostram que os textos essênios circulavam entre suas comunidades (12:23, 14:3, 15:3). Não seria difícil que comunidades cristãs viessem a entrar em contato com doutrinas essênias e passassem a absorver algo delas em sua formação. Paulo pode não ter tido contato direto com os essênios (o que não teria sido difícil ocorrer), mas certamente adquiriu parte de seu conhecimento com as comunidades cristãs que construíam sua estrutura doutrinária.

             A última proposta não tem como base um protagonista histórico como intermediador entre diferentes comunidades religiosas e sim em um gênero específico de literatura da época, a hínica. Como já defendi anteriormente (2012), os hinos eram muito difundidos naquela sociedade judaica de forte tradição oral. Elementos doutrinais, formulações, expressões, que existem nos escritos originários cristãos são encontradas com grande ocorrência nos hinos dos manuscritos de Qumran, sobretudo no longo documento 1QHinos de Ações de Graças. Alguns autores já provaram também que hinos como o Magnificat (Lc 1:46-55) e o Benedictus (Lc 1:68-79) são uma reformulação de um hino qumranita encontrado no manuscrito 1QManuscrito da Guerra 14:4-13 (Flusser, 2000: 150). Para explicar a grande incidência de paralelos nos e por meio dos textos hínicos, retomo aqui a síntese apresentada em outro momento:

[...] a literatura hínica tinha maior possibilidade de transitar entre diversos textos mais do que outros estilos literários. Mais importante que isso: esse tipo de literatura poderia carregar consigo aspectos doutrinais originados em diferentes correntes religiosas. Uma vez utilizados pelo grupo receptor, poderiam originar ou ajudar na consolidação de elementos doutrinais dentro de seu grupo. Textos de natureza mais específica, como normativos, exegéticos, proféticos etc., sofriam censura bem maior por parte de outros grupos religiosos (muitas vezes rivais), por, em sua maioria, serem mais carregados de conteúdo parcial (2012: 59).

         Existem várias outras propostas que procuram explicar não apenas os paralelos de natureza doutrinal entre os escritos cristãos originários e os manuscritos de Qumran, mas todo o conjunto de práticas e representações dos grupos político-religiosos mais conhecidos da Judeia helenístico-romana (Vieira, 2017). Embora os estudos tenham apresentado conclusões bastante reveladoras ao longo desses mais de 70 anos da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, esse campo de estudos se encontra aberto para novos resultados com o desenvolvimento de novos métodos e abordagens que têm continuamente se projetado nas pesquisas acadêmicas.

Conclusões

         Todo o contexto social palestino do século I d.C. deve ser levado em consideração para que se possa compreender como todos aqueles elementos sociais puderam ser utilizados na estruturação religiosa do cristianismo primitivo. A utilização da língua grega pelos círculos letrados cristãos trouxe consigo uma tradição filosófica e literária desconhecidas das Escrituras. Gêneros como a biografia, a prosa e a utilização de cartas – comuns na literatura e práticas greco-romanas da época – criaram novas fórmulas quando unidas à literatura do Oriente Próximo. Isso ocorreu em meio a transformações sociais profundas que se estenderam desde a dominação dos reinos helenísticos até o período romano, alterando o pensamento dos indivíduos e gerando formas de explicações da realidade social pelas correntes religiosas da época. Os Manuscritos do Mar Morto se tornaram uma fonte preciosa para essa reconstrução, assentando as origens do cristianismo em uma continuidade espaço-temporal e enfraquecendo perspectivas modernas que viam o cristianismo como um rompimento súbito e profundo com a história. Por um ponto de vista mais específico, eles ajudaram a perceber que parte do que se pensava ser herança de tradições literárias antigas, da prosa grega ou do pensamento gnóstico, era, na verdade, oriundo de comunidades que tinham esses manuscritos como autoridade.

         Mesmo diante dessas importantes alterações de paradigmas, há cuidados que ainda devem ser tomados. Por um lado, não se deve “cristianizar” os manuscritos, entendendo que eles foram uma preparação para o surgimento das doutrinas cristãs ou (por um viés religioso) do próprio cristianismo. Por outro, seria bastante equivocado considerar que todo o complexo doutrinal das primeiras comunidades cristãs não possuísse originalidade. Uma síntese mais bem acertada consideraria que, do ponto de vista religioso, o cristianismo não perdeu sua autoridade. Apenas recebeu uma contribuição para entendermos como suas estruturas originárias foram construídas historicamente.

Notas de Rodapé

  1  Utilizo a expressão “escritos originários” a fim de ressaltar o caráter não canônico tanto das fontes primárias (30-70 d.C.) quanto secundárias (70-135). 

  2  O trabalho mais conhecido nessa linha foi As intrigas em torno dos Manuscritos do Mar Morto (do original em inglês The Dead Sea Scroll Deception [1991]). Os autores Richard Baigent e Michael Leigh, dois jornalistas que já escreveram sobre temas completamente distintos, reuniram as teses mais criticadas até aquele momento e as apresentaram como uma denúncia de que a Igreja católica estava protegendo um “conteúdo proibido”, que era restrito apenas às agências e aos pesquisadores engajados com a Igreja.

   Opto, aqui, por utilizar o termo Escrituras ao invés de Antigo Testamento. Este é um conceito oriundo de uma construção cristã aviltada, que tem sua base conceitual originada com o apóstolo Paulo (2Cor 3:14). Os livros da tradição judaica eram chamados na Judeia apenas por “Escrituras”, como visto em algumas passagens dos escritos cristãos (Mt 21:42; Mc 12:24).

  4  Para as citações e abreviações dos textos cristãos, utilizo a Bíblia de Jerusalém (São Paulo: Paulinas, 1995).
   A expressão filho de Deus pode ser encontrada em: Mt 2:15; 3:17; 4:3, 6; 8:29; 14:33; 16:16; 17:5; 26:63; 27:40, 43, 54; Mc 1:1,11; 3:11; 5:7; 15:39; Lc 1:32, 35; 3:22; 4:3, 9, 41; 8:28; 9:35; 22:70; Jo 1:18,34,49; 3:18; 5:25; (9:35); 10:36; 11:4,27; 19:7; 20:31; At: 8:37; 9:20; 13:33; Rm 1:3-4, 9; 5:10; 8:3, 29, 32; 1Cor 1:9; 2Cor 1:19; Gl 1:16; 2:20; 4:4, 6; Ef 4:13; 1Ts 1:10; He 1:5; 4:14; 5:5; 6:6; 7:3; 10:29; 2Pd 1:17; 1Jo 1:3,7, 8; 3:23; 4:9,10,15; 5:5,9,10,11,12,13,20; 2Jo 3; Ap 2:18.

  6  Para as citações dos manuscritos de Qumran, utilizo GARCIA MARTÍNEZ, Florentino. Textos de Qumran, Edição Fiel e Completa dos Documentos do Mar Morto. Trad. Valmor da Silva. Petrópolis: Vozes, 1995. As referências a esses documentos não serão abreviadas.

   Essa ocorrência no texto lucano é um tanto enigmática. Para o autor, os filhos da luz são um grupo rival aos seguidores de Jesus, chamados de “filhos deste século” (huioi tou aionos). Há pesquisadores que acreditam que Lucas fez uma crítica a um grupo essênio, talvez o que habitou em Qumran, cujos manuscritos atestam o uso extensivo do nome filhos da luz (Flusser, Van de Standt, 2002: 188).

  8  Os manuscritos de Qumran pertenceram a uma comunidade apocalíptica, que se originou em um contexto de fortes tensões políticas, sociais e religiosas. Os pactuantes acreditavam que teriam uma participação efetiva no “fim dos tempos”. Eles eram os filhos da luz, que deveriam lutar contra os filhos da escuridão, que eram aqueles que não haviam aceitado a mensagem divina do grupo (Schffman, 2009: 174).

   Vale lembrar que a expressão “filhos das trevas” (benei hosek), encontrada uma única vez em 1QRegra da Comunidade (1:10) não está presente nas tradições cristãs, sendo a expressão “filho da perdição” (huios tes apoleias), atestada em Jo 17:12, a mais próxima daquele termo.

  10  Segundo o Dicionário ilustrado das Religiões (2001), o gnosticismo (do grego gnôsis: conhecimento) foi uma corrente espiritual contemporânea das primeiras comunidades cristãs. Os adeptos do gnosticismo procuravam dar respostas à pergunta “como apareceu o mal no mundo”. Pregavam que o homem não era pecador, mas que dentro dele travava-se uma luta perpétua entre bem e mal. O objetivo do gnosticismo era identificar essa luta através do conhecimento e assim alcançar a redenção.

  11  Considero a divisão do corpus paulino com base na conclusão do erudito bíblico Michael Goulder (1997: 515): 1Ts, 1Cor, Gl, 2Cor, Rm, Fm e Fl, provavelmente nessa ordem, são autenticamente paulinas; 1Tm, 2Tm, Tt e Hb são pseudônimas; e 2Ts, Cl e Ef são controversas, principalmente a última.

  12  Deve-se levar em consideração o problema em torno da autoria dessa perícope. Ela parece ser uma interpolação promovida posteriormente por outro autor que não Paulo. Sua inserção foi feita provavelmente por alguém pertencente a círculo paulino já que suas ideias são harmônicas às conhecidas nas epístolas paulinas.

  13  Neste hino sigo a tradução e a disposição em estrofes proposta por Norbert Lohfink (2001: 55-56).

  14  Compare com os hinos encontrados em 1QS 11:9-12 e 1QH 4:30-38.

  15  Entre os manuscritos descobertos em Qumran, havia várias cópias de textos com conteúdo normativo, com leis destinadas a regrar o comportamento dos indivíduos do grupo. O mais completo texto normativo é encontrado em 1QS 6:24-7:25, com um total de 25 leis que previam diferentes penalidades. A não observância tanto das leis comunais quanto das leis da tradição judaica resultava em punições.

  16  Jesus havia sido batizado por João, o que do ponto de vista religioso possui um simbolismo muito importante (Mt 3:13-17; Mc 1:9-11; Lc 3:21-22).

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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